Geração de Caixa:

Três hacks que todo gestor deveria avaliar

Não há segredo quando o assunto é geração de caixa e normalmente a primeira opção que vem à cabeça de todos os gestores é o endividamento. Existem diversas formas de se endividar uma empresa e nem todas são saudáveis e positivas para o resultado.

Dessa forma, é fundamental que soluções alternativas ao endividamento direto sejam inseridas nas análises, ajudando o gestor a identificar o melhor caminho para impulsionar números e melhorar a saúde financeira da sua empresa.

Listamos, aqui, três importantes hacks que podem ser considerados, para o atingimento de metas e superação dos desafios do seu cotidiano – hoje ainda maiores, devido aos efeitos da pandemia.

    1. Financial Supply Chain

    Inegavelmente, o tema Covid-19 perpetua-se e com ele uma série de impactos, tangíveis ou não, ainda reverberam e comprometem, em alguns casos de maneira crítica, toda a cadeia de suprimentos das empresas. Pode ser um momento interessante, por exemplo, para fechar parcerias de longo prazo e renegociar preços, uma vez que certa estabilidade é requerida por todos os componentes da corrente.

    As iniciativas possíveis, no entanto, não se limitam às já citadas e debatidas constantemente. O conceito de Financial Supply Chain, por exemplo, pode ser resumido como uma visão de todas as camadas da cadeia de suprimentos com foco nas transações financeiras.

    Nesse contexto, a avaliação das opções disponíveis no mercado para a antecipação de recebíveis pode ser um formato adequado para resgatar a saúde financeira de sua empresa. Essa análise não se restringe, no entanto, a uma apuração de taxas, ou seja, do custo financeiro da operação. Torna-se uma importante iniciativa para o impulsionamento dos números da sua empresa que seja considerado o fluxo financeiro de maneira integral, assim como o risco ao qual está sendo exposta a operação, para que, dessa forma, se possa extrair e garantir um resultado sustentável 

    “É vital que os credores ganhem visibilidade não apenas do fornecedor direto do comprador, mas também de seus fornecedores indiretos. O avanço da tecnologia permite isso” – Financial Supply Chain In The Covid-19 Pandemic: Fuel Or Wildfire – Forbes, 2020

    É fundamental, portanto, que algumas reflexões sejam feitas internamente, para que sirvam de guideline:

    • Análise da composição tributária
    • Análise do fluxo de caixa da operação
    • Análise da performance e modelo de gestão dos contratos
    • Avaliação da estrutura de risco em cada modelo

    Atualmente, os agentes financeiros não se limitam às instituições tradicionais, como em outrora. Fintechs, FIPS, FIDICS, entre outras entidades, podem servir como alternativa ao formato antes consolidado, trazendo mais agilidade, segurança e, principalmente, escalabilidade para as operações. Todo esse estudo irá pautar a solidez e confiança entre os componentes da sua cadeia de suprimentos.

    2. Eficiência Tributária

    O sistema de tributação brasileiro é complexo e permite diferentes interpretações.

    Nesse cenário, é de suma importância que haja um entendimento profundo das teses tributárias que suportam as decisões estratégicas da empresa, quantificando, por exemplo, os créditos a serem compensados e os inerentes riscos de cada operação de forma individualizada.

    Em questões previdenciárias, por exemplo, é fundamental realizar testes de aderência legal nos parâmetros usados, para definir, assim, a base de cálculo da contribuição previdenciária. Dessa forma, permite-se a apuração de eventuais contingências e oportunidades, dimensionando o rating de cada parâmetro que possivelmente tenha justificado o excesso no pagamento das contribuições.

    Tomar conhecimento das oportunidades, riscos e traçar uma estratégia tributária é imprescindível, por exemplo, para empresas intensivas em mão de obra, para as quais a recuperação de crédito pode gerar impactos expressivos no caixa

    3. Sales & Leaseback

    Em sua definição, o SLB trata-se da venda e locação de um ativo, mas esse processo pode ser feito por meio de diferentes abordagens, dependendo da situação dos ativos, segmento no qual a empresa se enquadra e do perfil daqueles interessados nos mesmos, sejam eles empresas ou investidores. Frequentemente, o SLB é utilizado quando o negócio carece de liquidez, gerando impactos significativos no capital de giro, EBITDA e ROA.

     Abaixo, preparamos uma lista não exaustiva de modelos possíveis que compõem essa operação:

    • Build to Suit (BTS)
    • Buy and Lease (BL)
    • Acquire, Own and Operate (AOO)
    • Acquire, Operate and Transfer (AOT)
    • Build, Own and Operate (BOO)
    • Build, Operate and Transfer (BOT)
    • Operation and Maintenance (O&M)
    • Pay for Performance (PFP)

    Os recursos da venda de um ativo, portanto, podem ser utilizados para pagar dívidas e passivos de curto prazo para continuar as operações, comprar estoques, realizar investimentos da capacidade produtiva, melhorar a gestão, entre outras aplicações.

    Após analisar os hacks acima expostos, concluímos que existem excelentes soluções de caixa quando se olha para dentro de casa e que as iniciativas alternativas não substituem as tradicionais, pois a melhor solução para a empresa sempre será a que trouxer o melhor fator Risco/ Benefício.

    Vinícius Aquino é Managing Partner da Arco Consulting Partners e possui mais de 15 anos de experiência em consultoria, tendo liderado programas de redução de custos e ganhos em eficiência para diferentes segmentos. vinicius@arcocps.com

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